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	<description>Patrocinado Pela GE</description>
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		<title>1,9 bilhões digitais: Licitação do Brasil para votação biométrica</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Mar 2012 18:10:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dom Phillips</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[biométricos]]></category>

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		<description><![CDATA[Havia uma época em que fazer impressões digitais no Brasil era um&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Havia uma época em que fazer impressões digitais no Brasil era um processo confuso. Em novembro de 2007, quando me cadastrei na Polícia Federal, em São Paulo, como jornalista estrangeiro, eu era obrigado a mergulhar os dedos em uma almofada de tinta, passá-los por pedaços de papel e, em seguida, limpá-los com guardanapos de papel verde. Em janeiro deste ano, após a renovação do meu visto, eu estava de volta.</p>
<p>Desta vez, o processo tinha sido totalmente automatizado. Quatro técnicos da Polícia Federal estavam sentados em uma sala escaneando impressões digitais com um sistema de computador, enquanto fofocavam `as alturas sobre a novela da noite anterior. Coloquei todos os meus dedos sobre um scanner e na tela apareceu uma imagem de neon verde da minha impressão digital.</p>
<p>A verificação demorou menos de dez minutos. Mas os guardanapos de papel verdes ainda estavam lá &#8211; desta vez, porque era um dia quente de verão.</p>
<p>O governo brasileiro quer obter de um total de 1,9 bilhões de impressões digitais desta maneira (um pouco menos, já que nem todo mundo tem 10 dedos), a fim de recolher dados biométricos de cada cidadão. A nova carteira de identidade biométrica, chamada de RIC (Registro de Identidade Civil) está gradualmente substituindo o atual RG (Registro Geral). Isto lhe dará um único número de identidade multi-propósito com base em suas impressões digitais, além de incluir uma foto, uma assinatura, um chip com dados biométricos e biográficos, e suas impressões digitais.</p>
<p>O cadastramento de impressões digitais é um acúmulo de um plano maior: o Brasil planeja transformar o seu processo eleitoral biométrico para 2018, e verificar a identidade de cada um dos 132 milhões de eleitores do país, por suas impressões digitais. Brasil tem realizado eleições totalmente automatizadas desde 2001 &#8211; os eleitores escolhem o número do candidato ou do partido em uma simples máquina. Resultados de até eleições presidenciais estão disponíveis em poucas horas. &#8220;Não há nenhum país que tenha 100 por cento de suas eleições automatizadas quanto o Brasil&#8221;, diz Giuseppe Dutra Janino, Secretário de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).</p>
<p>De 1964 a 1985, o Brasil foi governado por uma ditadura militar e quando as eleições livres retornaram, a fraude era galopante. &#8220;Havia muita fraude de folhas de votação&#8221;, diz David Fleischer, professor de Ciência Política na Universidade de Brasília. &#8220;Eles pagavam pessoas para irem de noite e preencher as folhas de votação em branco. Havia muita manipulação, pagava-se para as pessoas votarem – quem fosse no caminho ‘certo’ teria uma compensação&#8221;.</p>
<p>“A votação digital foi introduzida em 1996 e um terço das eleições daquele ano foram realizadas de maneira automatizada”, diz Giuseppe Janino. Em 1998, dois terços dos eleitores votaram eletronicamente. A partir de 2001, 100% deles escolheram seus candidatos digitalmente. “Desde então”, diz Janino, &#8220;não tivemos fraude.&#8221; “Além disso o temor de criminais invadindo o sistema não existe mais”, acrescenta Fleischer.</p>
<h4><strong>Votação do Século XXI</strong></h4>
<p>Cada máquina de votação tem um cartão de memória. Quando a votação é completada, a informação da máquina é levada para um ponto de conexão, é codificada, e transmitida para o computador central do TSE. &#8220;Cada estado brasileiro tem um computador central&#8221;, diz ele. &#8220;Na Floresta Amazônica, por exemplo, se não houver eletricidade, a máquina tem uma bateria com dez horas de duração e o resultado pode ser transmitido pelo notebook e ser enviado por satélite para o mesmo centro de dados.&#8221;</p>
<p>Com a introdução das urnas biométricas, o processo vai se tornar ainda mais simples para os eleitores.</p>
<p>Os eleitores são primeiro convidados a irem a um centro para o cadastro. O sistema utiliza uma &#8220;câmera inteligente&#8221; para escanear suas impressões digitais e dados biométricos usando um Sistema Automatizado de Identificação de Impressões Digitais. O software utilizado foi fornecido ao Governo pela Safran Morpho, uma empresa líder em biometria global. O scanner portátil é feito pela empresa Suprema.</p>
<p>“Na hora de votar o eleitor se apresenta, põe o dedo no scanner – a máquinaf analisa a impressão e compara a informação com o banco de dados digital para determinar se ele pode votar&#8221;, diz Giuseppe Janino. &#8220;Com isso, evitamos a possibilidade de que uma pessoa possa se passar por outra no processo eleitoral, com documentos falsos, por exemplo.&#8221;</p>
<p>Um esquema piloto biométrico de votação começou em 2008, realizado em pequenas cidades nos Estados de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Rondônia. &#8220;Nós escolhemos três cidades de diferentes regiões, cidades pequenas do interior&#8221;, diz Janino. &#8220;Os resultados foram muito positivos. Houve apenas um por cento que não foi capaz de ser identificado por suas impressões digitais. Teve alguns que não foram reconhecidos, por falta de um dedo, talvez perdido em um acidente.&#8221; Nesses casos, o reconhecimento do eleitor foi feito através da verificação de documentos.</p>
<h4><strong>Um sistema seguro?</strong></h4>
<p>O sistema brasileiro tem seus críticos. Um deles é o Comitê Multidisciplinar Independente (CMinid) que, em 2010, apresentou representantes brasileiros eleitos com um relatório detalhando falhas que observou no sistema do país. Sua principal objeção, diz Amilcar Filho, membro do Comitê, é que não há nenhuma maneira de verificar a votação, uma vez o voto que foi canalizado.</p>
<p>&#8220;As máquinas brasileiras registram o voto diretamente, mas não permitem ao eleitor saber o seu voto (após o de feito)&#8221;, diz Filho. Não há nenhum documento de respaldo do voto. Argentina experimentou com o sistema brasileiro e decidiu abandoná-lo, diz Filho. Mas Giuseppe Janino argumenta que o anonimato inerente ao sistema brasileiro protege a confidencialidade do eleitor. &#8220;Só o eleitor sabe em quem ele votou.&#8221;</p>
<p>Há uma certa transparência: uma pequena porcentagem da votação é filmada, e o processo está disponível. Os partidos podem também acessar um cadastro digital dos votos feitos, embora estes não estão ligados ao eleitor. &#8220;Não podemos saber essa informação&#8221;, diz Janino.</p>
<p>Mas, enquanto o Comitê Independente Multidisciplinar é nominalmente independente, ele também está intimamente ligado ao PDT (Partido Democrático Trabalhista), parte da coligação do Partido dos Trabalhadores. Mesmo o comitê já tendo se reunido com Senadores e Deputados, suas propostas ainda têm que fazer muito mas impacto no Brasil. Não há razão para pensar também que o projeto de votação biométrica será vetado. &#8220;O rastreamento de impressões digitais o torna ainda mais seguro&#8221;, diz David Fleischer.</p>
<p><strong>Foto no alto:</strong> Cortesia usuário de Flickr <a href="http://www.flickr.com/photos/intelfreepress/6810745508/in/photostream">IntelFreePress</a></p>
<div>
<p><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/author-photo-dom-phillips.jpeg"><img class="alignleft size-full wp-image-10" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/author-photo-dom-phillips.jpeg" alt="" width="77" height="77" /></a>Dom Phillips mudou-se para São Paulo em 2007 para escrever seu livro “Superstar DJs Here We Go” (“DJs Superstars, Aqui vamos), (Editora Radom House/Ebury 2009). Sua matéria mais recente na Txchecnologist abordou o aumento pré-sal na prospecção de petróleo.</p>
</div>
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		<title>Como os robôs voadores poderiam impedir o desmatamento</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/como-os-robos-voadores-poderiam-impedir-o-desmatamento/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 15:38:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Morgen E. Peck</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[TED]]></category>
		<category><![CDATA[Vijay Kumar]]></category>

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		<description><![CDATA[Se uma árvore cair na floresta e ninguém estiver por perto para&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se uma árvore cair na floresta e ninguém estiver por perto para ouvi-la, ela faria barulho? Se houver um bando de robôs do tamanho da palma da mão para testemunhar a queda, é provável que sim.</p>
<p>Os “Quadrotors” são robôs voadores em miniatura. <a href="http://kumar.grasp.upenn.edu/">Vijay Kumar</a>, Vice-reitor da Universidade da Pensilvânia, introduziu essas maravilhas da tecnologia durante sua palestra no <a href="http://www.ted.com/talks/vijay_kumar_robots_that_fly_and_cooperate.html">TED talk</a>. Ele demonstrou estes robôs brincando no ar como se fossem lontras, voando para todos os lados e trabalhando juntos para construir uma torre de blocos.</p>
<p>Kumar sugeriu que os Quadrotors poderiam ser úteis para o escaneamento de áreas de desastre, mas um ex-aluno de Kumar no Brasil acrescentou, ainda, que eles poderiam funcionar como minúsculos e silenciosos guardiões da floresta tropical.</p>
<p><a href="http://www.verlab.dcc.ufmg.br/pessoal/index">Mario Campos</a>, professor de computação que dirige seu próprio laboratório de robótica na Universidade Federal de Minas Gerais, disse que os robôs poderiam ser usados para capturar vídeo ao vivo da floresta, auxiliando em um esforço para detectar e responder rapidamente ao <a href="http://brasil.txchnologist.com/2012/com-valorizacao-das-florestas-brasil-exerce-diplomacia-dos-satelites/">desmatamento ilegal e aos incêndios</a>.</p>
<h4><strong>&#8220;Do tamanho da palma da minha mão&#8221;</strong></h4>
<p>O Brasil tem começado a prestar atenção no céu por mais de uma década, enviando aviões de asa fixa ao longo do dossel da floresta para detectar o tráfico ilegal de drogas e mineração, assim como crimes ambientais. Mas esses veículos exigem operadores humanos, enquanto os Quadrotors de Kumar podem ser programados para voar autonomamente em bandos.</p>
<p>E agora estes robôs inteligentes que voam são menores do que nunca.</p>
<p>&#8220;O que aconteceu nos últimos seis meses é o resultado do grande esforço para tornar a plataforma menor&#8221;, diz Kumar, membro do Laboratório GRASP da Universidade da Pensilvânia (General Robotics, Automation, Sensing and Perception pelas siglas em inglês). &#8220;É mais ou menos do tamanho da palma da minha mão. O vão é menos de 20 centímetros.&#8221;</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/4ErEBkj_3PY?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O corpo do robô tem a forma de uma cruz e uma pequena lâmina de rotor está colada à extremidade de cada braço. Quando todos os rotores estão girando com a mesma velocidade, o robô levanta vôo ou fica parado no ar. Mas quando eles giram a velocidades diferentes, o corpo se inclina para a frente ou gira. Um processador a bordo pode mudar os comandos dos rotores 600 vezes por segundo, permitindo a máquina responder rapidamente às mudanças do ambiente. Se você o jogar no ar ele vai deslizar diretamente em um padrão de vôo controlado.</p>
<h4><strong>Trabalho desconectado em equipe</strong></h4>
<p>É bastante impressionante assistir uma dessas criaturas inorgânicas atravessar um arco e mesmo ver como é jogado no ar. E assistir vários deles trabalharem em equipe é impressionante &#8211; e um pouco enervante.</p>
<p>Em sua palestra no TED, Kumar explicou como um bando de robôs sem a capacidade de se comunicar entre si, conseguem trabalhar para construir uma estrutura, levantar blocos e colocá-los em seu lugar. Cada robô tem o mesmo modelo e a capacidade de perceber mudanças no ambiente, mas não tem conexão direta com as outras unidades do bando.</p>
<p>Os programas que controlam esses vôos foram inspirados pela forma como as formigas cooperam para movimentar grandes porções de comida, mas Kumar diz que a sua equipe poderia facilmente ter observado os seres humanos.</p>
<p>Analise como duas pessoas mudariam de lugar uma mesa se elas estiverem com os olhos vendados. &#8220;Eu não preciso saber exatamente como o seu cérebro está conectado. Eu não preciso saber seu nome. Nem sequer preciso saber como você é&#8221;, diz Kumar. &#8220;Eu vou mudar a mesa como eu acho que é apropriado. Ninguém está me dizendo o que fazer e ninguém está lhe dizendo o que fazer.&#8221;</p>
<h4><strong>Voando através das copas das árvores</strong></h4>
<p>Os smarts que evitam os robôs colidirem enquanto são construídos também permitem eles contornarem obstáculos na selva. &#8220;Eles querem voar por cima das copas das árvores, algo que poderíamos fazer&#8221;, diz Kumar.</p>
<p>Essas habilidades parecem ser perfeitamente adequadas para o monitoramento da floresta tropical. Fazendeiros e madeireiros no Brasil são obrigados a seguir leis de conservação ao derrubar árvores em sua propriedade, mas muitas vezes desrespeitam as regras. &#8220;Este é um dos principais problemas para a região&#8221;, diz Campos.</p>
<p>Campos tem uma grande preocupação. &#8220;Além de ser o lar de várias espécies de aves, mamíferos e répteis, a Floresta Amazônica é o habitat de milhares de insetos. Seu bem-estar poderia ser prejudicado no processo de monitoramento &#8220;, diz ele. Antes que os Quadrotors forem liberados na selva, seria melhor saber que eles não vão prejudicar o mesmo ecossistema do qual estão sendo encarregados de proteger.</p>
<p>Mas se forem implantados com cuidado, os robôs poderiam ser sentinelas de proteção ambiental crucial.</p>
<p>O que você acha? Você acha que as florestas tropicais precisam mini espiões ? Onde mais poderia ser aplicada esta tecnologia?</p>
<p>Este artigo apareceu originalmente no site <a href="http://mashable.com/2012/03/20/flying-robots-deforestation/">Mashable</a></p>
<p><strong>Foto no alto: </strong>Divulgação <a href="https://www.grasp.upenn.edu/">GRASP</a></p>
<p>Morgen E.Peck é colaboradora daTxchnologist. Ela também escreve para o IEEE Spectrum, Innovation News Daily e Scientific America.</p>
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		<item>
		<title>Cartão amarelo para os aeroportos brasileiros</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/cartao-amarelo-para-os-aeroportos-brasileiros/</link>
		<comments>http://brasil.txchnologist.com/2012/cartao-amarelo-para-os-aeroportos-brasileiros/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Mar 2012 14:45:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Barbosa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Congonhas]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Galeão]]></category>

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		<description><![CDATA[Faltando pouco mais de dois anos para o mundial de futebol da&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faltando pouco mais de dois anos para o mundial de futebol da FIFA, é grande a preocupação com os aeroportos brasileiros. Mas assim como aconteceu nas edições anteriores do mundial, na Alemanha e na África do Sul, o maior desafio em se tratando do setor aéreo não está na aviação comercial, mas nos jatos dos executivos, patrocinadores, chefes de estado e outros VIPs.</p>
<p>A Força Aérea Brasileira, responsável pelo controle do espaço aéreo, estima que  1.000 aviões executivos pousarão no Rio no dia da final da Copa. Isso representa o dobro da capacidade diária do aeroporto do Galeão hoje,  de 960 movimentos, considerando pouso e decolagem. Cada jato representa dois movimentos. Para adicionar complexidade, o planejamento da Aeronáutica prevê que dentre esses 1.000 jatos, três ou quatro, pelo menos, trarão chefes de Estado. Quantos exatamente vai depender do resultado dos jogos.</p>
<p>Se o Brasil for para a final, devem estar presentes no estádio do Maracanã a presidente Dilma Rousseff, o russo Vladimir Putin, anfitrião da próxima Copa, e mais o líder do outro país que disputará a final. No dia da abertura do Mundial, a previsão para São Paulo é de 500 aeronaves (1.000 movimentos). Para efeito de comparação, o aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, consegue receber, no máximo, 578 movimentos por dia.</p>
<p>Já nos outros jogos, a estimativa da Aeronáutica  é de 200 a 250 aviões  de pequeno porte pousando na cidade onde o jogo estará sendo realizado.</p>
<h4><strong>Aeroportos secundários</strong></h4>
<p>Como na Copa os 16 aeroportos que atendem mais diretamente as 12 cidades-sede dos jogos estarão operando no limite ou próximo da capacidade com a aviação comercial, os aviões particulares serão desviados para aeroportos secundários.</p>
<div id="attachment_484" class="wp-caption aligncenter" style="width: 600px"><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/476839746_f32fd82391_b.jpeg"><img class="size-large wp-image-484" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/476839746_f32fd82391_b-590x368.jpg" alt="" width="590" height="368" /></a><p class="wp-caption-text">Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos (Flickr - usuario Matt.hintsa)</p></div>
<p>A medida deve congestionar ainda mais o espaço aéreo, na medida em que os aeroportos secundários estão localizados a 100, 200 km ou até 500 km das cidades-sede. Devido à distância, muitos VIPs deverão recorrer a helicópteros para se deslocar dos aeroportos secundários para os estádios.</p>
<p>Ao todo serão 44 aeroportos, mais uma dezena de bases aéreas da FAB, cujos pátios deverão ser usados para acomodar os jatos executivos. Porém, muitos não estão em condições de receber os jatos, sobretudo jatos executivos de maior porte. A Secretaria de Aviação Civil ainda está mapeando as carências de cada um desses aeródromos para então fazer um planejamento de investimentos. A previsão é concluir o mapeamento até meados do ano. Nenhum desse 44 aeroportos terá condição, contudo, de receber voos internacionais, o que fará com que a aviação executiva dependa de aeroportos como Guarulhos e Galeão, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Para não sobrecarregar os pátios de aeronaves desses aeroportos, deve ser adotada  a política de &#8220;stop and go&#8221; (pare e siga). A medida obriga o piloto a deixar o aeroporto logo após o desembarque dos passageiros. O &#8220;stop and go&#8221; foi adotado na África do Sul, mas não foi respeitado. Os pátios ficaram lotados, atrapalhando a aviação comercial.</p>
<p>O plano de ação para a Copa prevê ainda o fechamento do espaço aéreo em cima dos estádios por cinco horas (duas antes do jogo e uma depois), por segurança. Dependendo da extensão, a zona de exclusão pode afetar o espaço aéreo de aeroportos como Guarulhos e Galeão, por exemplo, devido à proximidade dos estádios.</p>
<p>“Atualmente, a política de aviação  vem acarretando perda de espaço para a aviação geral nos grandes aeroportos, o que diminui a disponibilidade do serviço, prejudica a maior conectividade e capilaridade do setor”, diz o consultor em planejamento aeroportuário Érico Santana. “Isso já é um problema hoje e será ainda mais crítico durante a Copa.”</p>
<p>Preocupado em solucionar as deficiências de infraestrutura dos principais aeroportos para atender a aviação comercial, o governo vem adiando a regulamentação do modelo de autorização que permita à iniciativa privada construir aeroportos e explorá-los comercialmente. Mas em um país que exibe a segunda maior frota de aviões particulares do mundo, mesmo sem uma regulação adequada, já há investidores planejando aeródromos privados. Em um terreno localizado a 60 km de São Paulo, em São Roque, a construtora JHSF pretende construir uma pista de 2.800 metros (maior do que a de Congonhas) para uso privado. A aposta é que, até a Copa, com a carência de infraestrutura para a aviação geral, o governo regulamente a autorização para que aeroportos privados possam vir a ser explorados comercialmente.</p>
<h4><strong>Aviação comercial</strong></h4>
<p>Apesar do cronograma apertado, os aeroportos das dez cidades sedes de jogos da Copa devem conseguir atender a demanda da aviação comercial – mesmo que o conforto ou a beleza da infraestrutura deixe a desejar.</p>
<p>Os chamados puxadinhos (terminais temporários) estão sendo construídos pela <a href="http://www.infraero.gov.br/index.php">Infraero</a>, estatal que administra os aeroportos no Brasil. E o principal aeroporto do país, Guarulhos, vai ganhar uma gestão privada a partir de maio, quando será assinado o contrato de concessão. Pelas regras da concessão, Guarulhos, Viracopos e Brasília, três primeiros aeroportos cuja gestão passará para a iniciativa privada, receberam R$ 2,8 bilhões de investimentos nos próximos dois anos.</p>
<p><strong>Foto no alto: </strong> São Paulo a cidade sem fim. Aeroporto de Congonhas em destaque. (Flickr &#8211; usuario <a href="http://www.flickr.com/photos/guilhermekardel/2456477773/in/photostream/">Guilherme Kardel</a>)</p>
<p>Mariana Barbosa é jornalista, com pós-graduação na London School of Economics. Especializada em aviação, trabalha desde 2009 no jornal Folha de São Paulo</p>
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		<item>
		<title>A luta contra o mal negligenciado</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/a-luta-contra-o-mal-negligenciado/</link>
		<comments>http://brasil.txchnologist.com/2012/a-luta-contra-o-mal-negligenciado/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 14:03:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Gonçalves</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Doença de Chagas]]></category>
		<category><![CDATA[malária]]></category>
		<category><![CDATA[Unifesp]]></category>

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		<description><![CDATA[O Brasil é um dos países do mundo com maior número de&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil é um dos países do mundo com maior número de artigos científicos publicados sobre doenças tropicais, atrás apenas dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França. As universidades e institutos de pesquisa abrigam centenas de grupos dedicados ao tema. Contudo, as parcerias com laboratórios públicos e privados ainda engatinham. Como consequência, descobertas de bancada não se transformam em soluções para problemas de saúde pública. Essa é a opinião de <a href="http://www.ctcmol.unifesp.br/docentes/prof.-dr.-mauricio-martins-rodrigues">Maurício Martins Rodrigues</a>, da Universidade Federal de São Paulo (<a href="http://www.unifesp.br/">Unifesp</a>), um dos principais pesquisadores de malária e doença de Chagas no País. Em entrevista a Txchnologist, ele também comenta seus últimos resultados na procura de uma vacina para doenças que afetam milhões de pessoas em todo o mundo.</p>
<div id="attachment_472" class="wp-caption alignright" style="width: 240px"><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/Screen-Shot-2012-03-20-at-5.42.14-PM.png"><img class="size-full wp-image-472 " src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/Screen-Shot-2012-03-20-at-5.42.14-PM.png" alt="" width="230" height="217" /></a><p class="wp-caption-text">Maurício Martins Rodrigues. Divulgação</p></div>
<p><strong>Alexandre Gonçalves: </strong>Quais são suas principais linhas de pesquisa?<br />
<strong>Maurcio Martins Rodrigues: </strong>Atualmente, desenvolvo vacinas para doença de Chagas e malária, dois graves problemas de saúde pública causados por protozoários. Em toda a América Latina, segundo um relatório da Organização Mundial de Saúde de 2010, perdem-se 752 mil dias de trabalho por ano em função da morte prematura ou do afastamento de trabalhadores com doença de Chagas. Em termos financeiros, isso representa um prejuízo anual de US$ 1,2 bilhão. Além disso, interessa-me sobretudo a malária causada pelo Plasmodium vivax, espécie responsável por 80% dos casos da doença no Brasil e que também é muito importante na Ásia. Segundo dados divulgados no fim do ano passado pelo Projeto Mapa da Malária, da Universidade de Oxford, cerca de três bilhões de pessoas em todo o mundo são ameaçadas pelo P. vivax.</p>
<p><strong>AG:</strong> Com a urbanização, a doença de Chagas não deixará de ser um problema de saúde pública? Por que se preocupar com uma vacina?<br />
<strong>MMR:</strong> A doença de Chagas é uma zoonose, ou seja, uma doença que ocorre em animais e, ocasionalmente, afeta o homem. Por isso, nunca será possível dizer que ela foi erradicada. Existem muitos animais infectados com o Trypanosoma cruzi (protozoário causador da doença de Chagas) e jamais conseguiremos nos livrar deles. Aliás, não é algo nem mesmo desejável. Mais de 30% dos macacos brasileiros carregam o T. cruzi. Ninguém acharia razoável acabar com esses animais. Sem dúvida, podemos atribuir a queda no número de casos à urbanização. As pessoas deixaram de viver em casas de pau-a-pique (construções de bambu recoberto com barro) que constituíam um ambiente propício para o barbeiro (Triatoma infestans, inseto que se tornou o principal vetor da doença para o homem). Mas a doença não deixou de existir. Ela continua muito bem na floresta. Quando o homem invade ecossistemas naturais, a doença de Chagas reaparece. É o que acontece na Amazônia hoje. No passado, o Sudeste, o Nordeste e o Centro-Oeste do Brasil concentravam quase todos os casos da doença. Hoje, o número de infecções nessas regiões está caindo, mas sobe na Amazônia. O T. cruzi é muito bem adaptado. Dificilmente deixará nosso planeta nos próximos milhões de anos.</p>
<p><strong>AG: </strong>Não seria mais fácil eliminar o barbeiro?<br />
<strong>MMR: </strong>Há estudos que mostram que mesmo em um cenário de baixa transmissão da doença, vale a pena utilizar uma vacina. A melhor política é, provavelmente, conjugar as duas frentes: combater o barbeiro e vacinar as pessoas. Vale lembrar que o Brasil criou um programa eficaz para eliminar o inseto, mas outros países da América Latina não conseguem fazer o mesmo. E o Brasil deve se preocupar com esses países e os ajudar. Além disso, não basta eliminar o vetor para erradicar a doença. É preciso garantir que ele não voltará da floresta para infestar a casa das pessoas.</p>
<p><strong>AG: </strong>Qual é o estado atual da vacina para Chagas?<br />
<strong>MMR: </strong>Conseguimos até 100% de proteção em camundongos expostos ao T. cruzi. Vamos testar agora em cães. Se der certo, já teremos uma vacina veterinária, algo muito importante. Em muitos lugares, cachorros e gatos costumam ser os principais reservatórios da doença. Mesmo no sul dos Estados Unidos, onde a transmissão para humanos é muito rara, é possível encontrar animais domésticos infectados. Vale lembrar que vacinas veterinárias recebem aprovações das agências reguladoras com muito mais facilidade do que vacinas para seres humanos. Só depois, se os resultados forem consistentes, vamos pensar em uma vacina para humanos.</p>
<p><strong>AG: </strong>E no caso da malária causada pelo P. vivax?<br />
<strong>MR: </strong>Há um grave desafio para quem estuda a malária causada pelo P. vivax. É muito difícil testar a vacina em laboratório, pois o protozoário só infecta o homem. Até bem pouco tempo, não havia modelos animais. Agora, surgiu uma alternativa. O pesquisador colombiano Socrates Herrera-Valencia conseguiu infectar macacos-da-noite (Aotus vociferans) com o P. vivax. Por isso, firmamos uma parceria. Já enviei as vacinas que desenvolvi para Herrera-Valencia. Elas foram administradas aos animais, que depois foram expostos à doença. Mas ainda não conhecemos os resultados, mas eles serão revelados em breve.</p>
<p><strong>AG: </strong>Suas pesquisas podem ser úteis para outras doenças?<br />
<strong>MMR: </strong>Claro. Estamos acostumados com o método “dose inicial-reforço homólogo” que nada mais é do que administrar duas ou três vezes a mesma vacina para reforçar a resposta do sistema imunológico. Em 1993, durante meu pós-doutorado na New York University com os cientistas brasileiros Victor e Ruth Nussenzweig, desenvolvemos o método “dose inicial-reforço heterólogo”, ou seja, a utilização de vacinas diferentes (embora contendo sempre a mesma proteína) para realizar a imunização. Por exemplo, no caso da malária, administramos uma primeira dose que utiliza proteína recombinante e uma segunda dose que usa um adenovírus como veículo da proteína. Nossos resultados mostram que a resposta do sistema imunológica é muito mais vigorosa no “dose inicial-reforço heterólogo”. A técnica ja está sendo utilizada em Harvard para testar vacinas contra o HIV.</p>
<p><strong>AG: </strong>É difícil pesquisar doenças negligenciadas?<br />
<strong>MMR: </strong>O problema não é a pesquisa, mas o desenvolvimento. É muito difícil achar empresas dispostas a desenvolver os resultados das pesquisas para transformá-los em produtos. Doenças negligenciadas afetam um número enorme de pessoas, mas, em geral, são populações muito pobres de países com poucos recursos. Há só meia dúzia de grandes empresas que controlam o mercado de vacinas no mundo e elas normalmente tem pouco interesse em doenças negligenciadas. Também acho difícil contar com laboratórios públicos &#8211; como os brasileiros Instituto Butantan e Farmanguinhos (Fiocruz). Eles já estão saturados produzindo vacinas pediátricas muito importantes para o sistema público de saúde. Na minha opinião, a solução pode vir de pequenas empresas que se interessariam pelo negócio caso contassem com apoio e garantias do governo. Acredito em uma alternativa híbrida, que reúna ação governamental e iniciativa privada.</p>
<p><strong>Foto no alto:</strong> Barbeiro. Divulgação CDC</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-20" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/Alexandre-Goncalves-2.jpg" alt="" width="76" height="73" /><a href="http://brasil.txchnologist.com/2012/colaboradores/">Alexandre Gonçalves</a> atua como repórter de Ciência no jornal “<a href="http://www.estadao.com.br/">O Estado de S. Paulo</a>” há quatro anos. Seus principais interesses são biotecnologia e política científica. Já trabalhou como engenheiro de software na IBM e em outras empresas de informática.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Pai da Aviação do Brasil</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/pai-da-aviacao-do-brasil/</link>
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		<pubDate>Tue, 20 Mar 2012 13:05:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Steven Ashley</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Santos-Dumont]]></category>
		<category><![CDATA[Irmãos Wright]]></category>

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		<description><![CDATA[Se perguntar a um americano quem inventou o avião a resposta será&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se perguntar a um americano quem inventou o avião a resposta será &#8220;os <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u15410.shtml">irmãos Wright</a>.&#8221; Faça a mesma pergunta a um brasileiro e a resposta será &#8220;<a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/alberto-santos-dumont.jhtm">Alberto Santos-Dumont</a>&#8220;.</p>
<p>Para este nome, os norte-americanos responderiam: &#8220;Quem?&#8221;</p>
<p>As diferentes respostas derivam de uma controvérsia que data dos primórdios da era da aviação.</p>
<p>No outono de 1906, Santos Dumont pilotou seu14bis, um bimotor com hélice propulsora (tipo pusher,  em inglês) e asas fixas (tipo canard), por uma distância de cerca de 200 pés a uma altura de cerca de 10 pés ante uma grande multidão de parisienses. Este evento, bem documentado, foi o primeiro vôo checado na Europa por um aparelho “mais pesado do que o ar”, pelo organismo criado para estabelecer das regras de aviação, a Federação Aeronáutica Internacional. A façanha garantiu ao aviador brasileiro o prêmio Archdeacon , de grande prestígio,  por ser a primeira pessoa a pilotar um avião de asa fixa mais de 25 metros. Meses mais tarde, Santos Dumont ganhou o Prêmio do Aeroclube da França no valor de 1.500 francos (300 dólares)  por ter percorrido por primeira vez 100 metros.</p>
<div id="attachment_453" class="wp-caption alignright" style="width: 226px"><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/te000005.jpeg"><img class="size-medium wp-image-453" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/te000005-310x430.jpg" alt="" width="216" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Alberto Santos-Dumont: Bon vivant. Divulgação Dominiopublico.gov.br</p></div>
<p>Já conhecido por ser o pioneiro da aviação pelo fato de ter previamente construído e voado o primeiro dirigível movido a gasolina assim como por seu estilo de vida aventureiro, Santos  Dumont foi aclamado como o &#8220;Pai da Aviação&#8221; pelos brasileiros. &#8220;Santos Dumont é um dos heróis mais importantes da história brasileira&#8221;, diz o conterrâneo <a href="https://twitter.com/#!/airshowfan">Bernardo Malfitano</a>, engenheiro aeroespacial da Boeing e considerado um geek da aviação. &#8220;O aeroporto doméstico do Rio de Janeiro recebeu o nome do aviador, e em cada aeroporto do Brasil existe uma placa dedicada a ele. Muitas vezes, ainda, um busto em sua homenagem&#8221;, observa ele.</p>
<p>O quê aconteceu com Wilbur e Orville Wright? &#8220;Na época dos vôos de Santos Dumont em Paris, em 1906, os irmãos Wright realmente ainda não tinham se revelado ao mundo&#8221;, conta <a href="http://www.si.edu/ofg/Staffhp/CrouchT.htm">Tom D. Crouch</a>, curador- sênior de aeronáutica no Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian Institute. Havia apenas relatos de imprensa não confirmados e rumores de seus primeiros vôos na Kitty Hawk (Kill Devil Hills, NC) em 1903, notícias que logo desapareceram.</p>
<p>&#8220;Os europeus viram Santos Dumont voar antes de os irmãos Wrights terem ido para a Europa, então é natural que ele fosse amplamente comemorado&#8221;, diz Crouch, Cavaleiro da Ordem de Santos-Dumont. &#8220;Dois anos mais tarde, em 1908, quando os irmãos Wright viajaram para a França e realizaram demonstrações públicas de seu, melhorado, Flyer, eles surpreenderam o público ao fazer manobras nunca antes efetuadas por outros aviões.&#8221;</p>
<h4><strong>Argumentos além da precedência</strong></h4>
<p>Os defensores da reivindicação da precedência de Santos Dumont argumentam o que poderia ser denominado um contra-argumento legalista. &#8220;Os vôos do 14bis foram as primeiras demonstrações públicas de um avião decolando de uma pista de pouso com um trem de pouso fixo e retornando com sua própria força em condições de clima calmas &#8220;, diz Malfitano, referindo-se ao fato de que o avião dos irmãos Wright usou um monotrilho e uma catapulta de lançamento de peso assim como enfrentou fortes ventos, para chegar no alto.</p>
<p>Mas Crouch chama esse argumento de absurdo. &#8220;Todo mundo decolou a favor do vento. Seria uma loucura tentar decolar contra o vento nessas máquinas leves. E a catapulta foi usada porque as rodas não funcionavam na areia. Os irmãos Wright poderiam ter facilmente adicionado rodas &#8220;, diz ele.</p>
<p>Crouch complementa que &#8220;o 14bis não tinha pouco controle do eixo de rotação. Ele podia voar quase só em linha reta. Para dar volta, você tinha que ficar sob a parte de baixo da aeronave com o leme. &#8220;O Flyer, pelo contrário, tinha controle de direção do vôo (o que dá um controle ao piloto sobre o eixo de rotação, o ângulo de arfagem e o giro).</p>
<h4><strong>Pioneiro do dirigível</strong></h4>
<p>Apesar da discórdia sobre quem voou primeiro, não há dúvida de que Santos Dumont é uma figura importante na história da aviação. O filho de um rico cafeicultor do Brasil, Santos Dumont era &#8220;absolutamente apaixonado por voar&#8221;, diz Crouch. &#8220;E suas façanhas famosas, seu carisma, sua atitude extremamente extravagante e sua obsessão pela aviação fez dele uma figura inspiradora. Ele entusiasmava as pessoas com a idéia de voar.&#8221; Ele organizava jantares em casa, onde havia suspendido do teto a mesa de jantar e as cadeiras para que os hóspedes tomassem seus lugares usando escadas”, conta Crouch. Além disso, acredita-se que ele também popularizou o uso de relógio de pulso nos homens.</p>
<p>“Mesmo antes de construir o 14bis, ele foi pioneiro dos “mais leves que o ar” através da construção e vôo de onze aeronaves dirigíveis”, diz Malfitano. &#8220;Ele sobrevoava os bulevares de Paris na altura do último andar em uma de suas aeronaves, geralmente pousando o dirigível na frente de um café de moda.&#8221;</p>
<p>No final de 1901, Santos Dumont pilotou o seu dirigível Nº6 desde o Parque Saint Cloud ,nos subúrbios de Paris, até a Torre Eiffel e voltando: um total de 11 quilômetros em menos de meia hora, o que lhe rendeu a Copa Deutsch de la Meurthe, com um prêmio de cem mil francos. O aeronauta vitorioso ganhou o reconhecimento como uma das principais celebridades da cidade, quando ofereceu um quarto do prêmio `a sua tripulação e o resto aos pobres de Paris. &#8220;Ao fazer isso, ele capturou a imaginação do mundo&#8221;, diz Crouch &#8220;, provocando na Europa e nos EUA uma onda de homem dos dirigíveis e temerário dos aeronautas nos anos seguintes .&#8221;</p>
<h4><strong>Herói Nacional</strong></h4>
<p>&#8220;O desenho final de Santos Dumont foi o monoplano Demoiselle, o precursor do moderno ultra-leve que se tornou bastante popular&#8221;, diz Malfitano. &#8220;Ele usou o Demoiselle como seu transporte pessoal. E ao contrário do secretismo dos irmãos Wright, ele voluntariamente deixo aos outros copiarem seu desenho.&#8221;</p>
<p>Alberto Santos Dumont retornou ao Brasil como herói nacional em 1928. Após sua morte, quatro anos mais tarde, sua casa em Petrópolis foi transformada em museu.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Foto no alto:</strong> Cartão postal do 14 Bis</p>
<p>Steven Ashley colabora como editor da Txchnologist. Ele tem trabalhos publicados na Scientific American, Popular Science e Technology Review da MIT, entre outras.</p>
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		<title>Hora De arrumar a casa</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/hora-de-arrumar-a-casa/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Mar 2012 01:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Suzana Camargo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Bill Hanway]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Jogos Olímpicos]]></category>
		<category><![CDATA[Museu do Amanhã]]></category>

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		<description><![CDATA[Pelos próximos quatro anos o carioca, nome dado a quem nasce no&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pelos próximos quatro anos o carioca, nome dado a quem nasce no Rio de Janeiro, precisará de muita paciência. A cidade se transformará em um verdadeiro canteiro de obras. Entretanto, o que se espera é que tudo o que está sendo planejado e construído para a <a href="http://pt.fifa.com/index.html?language=pt">Copa do Mundo</a> e os Jogos <a href="http://www.rio2016.org/">Olímpicos</a> mudem a vida do cidadão para melhor.</p>
<p>A prefeitura do Rio de Janeiro criou um Plano de Legado,  baseado em quatro pilares: sistema de transporte, infraestrutura urbana, meio ambiente e desenvolvimento social. “O Rio claramente não ficou imune aos desafios herdados pelo crescimento acelerado da economia brasileira, como a falta de moradia, infraestrutura e transporte público. Assim como esses problemas, outro grande desafio é o contexto físico da cidade, com um aspecto natural único – certamente um dos lugares mais bonitos do mundo, mas com dificuldades a serem vencidas. As montanhas, praias e baías são lindas, mas criam barreiras para o crescimento físico e o transporte urbano”, diz <a href="http://www.arcoweb.com.br/noticias-em-geral/bill-hanway-aecom-vence-concurso-parque-olimpico-backheuser-19-08-2011.html">Bill Hanway</a>, arquiteto autor do Barra Olympic Park Master Plan, projeto vencedor para Parque Olímpico Brasileiro, desenvolvido pelo escritório Londrino AECOM, o mesmo que está cuidando das obras para os Jogos Olímpicos em Londres.</p>
<p>Para melhorar o trânsito, por exemplo, que no Rio de Janeiro atualmente beira o caótico – por vezes o motorista leva mais de uma hora para percorrer meros 20 quilômetros entre a zona sul da cidade e a Barra da Tijuca, bairro onde está sendo construído o Parque Olímpico, a prefeitura investe em quatro novos corredores para ônibus expressos e biarticulados, interligados com barcas, trens e metrôs. “O investimento que está sendo feito nesses corredores é um passo muito importante tanto para as Olímpiadas como também para o futuro desenvolvimento da Barra e da zona oeste da cidade”, afirma Hanway.</p>
<p>Uma outra novidade para a cidade será o sistema VLT – <a href="http://www.portaltransparencia.gov.br/copa2014/fortaleza/mobilidade-urbana/vlt-parangaba-ucuripe/">Veículo Leve Sobre Trilhos</a>, uma espécie de metrô de superfície, que ligará a zona portuária ao Aeroporto Santos Dumont, passando pelo centro da cidade. A exemplo de Barcelona, a zona portuária do Rio de Janeiro, completamente degradada e esquecida pelo poder público nas últimas décadas, está sendo revitalizada. O projeto Porto Maravilha, avaliado em R$ 8 bilhões de reais, será tocado por uma parceria pública privada, que terá a concessão do local pelos próximos 15 anos. Todavia, será necessário investir não somente na construção do Porto Olímpico, com área de 850 mil m2, e de um hotel cinco estrelas com centro de convenções, mas também em serviços básicos essenciais como redes de água, esgoto, gás e telefonia.</p>
<div id="attachment_436" class="wp-caption aligncenter" style="width: 600px"><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/101011Museum_of_tomorrow1.jpeg"><img class="size-large wp-image-436" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/101011Museum_of_tomorrow1-590x332.jpg" alt="" width="590" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Museu do Amanhã/divulgação Santiago Calatrava</p></div>
<p>Planeja-se ainda a construção de dois museus na região, o Museu de Artes e o <a href="http://oglobo.globo.com/rio/museu-do-amanha-no-pier-maua-sera-marco-da-rio20-3065911">Museu do Amanhã</a>, o último dedicado à ciência e que tem um projeto arquitetônico sustentável e contemporâneo concebido pelo espanhol Santiago Calatrava. A longo prazo, a expectativa é que a revitalização do porto traga mais verde para a região, diminua o tráfego pesado e a poluição associada. Espera-se que em dez anos, a população local ali passe de 20 mil para 100 mil moradores. “Nossa intenção ao desenvolver o projeto do Porto Olímpico foi sempre a de criarmos um bairro democrático, sustentável, vivo e que valorize o espaço público como local de promoção social e cultural de uma cidade”, conta o arquiteto João Pedro Backheuser, vencedor do projeto Porto Olímpico, que tem parceria com um escritório de arquitetura de Barcelona.</p>
<p>Enquanto ainda faltam quatro anos para os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo de 2014 está bem mais perto e traz preocupações. Para começar, muito investimento é necessário nos aeroportos das doze cidades sedes, isso mesmo – doze, localizadas em locais tão distantes quanto Manaus, em plena região amazônica, e Porto Alegre, no extremo sul do país. Só para se ter uma ideia do aumento no movimento de passageiros em solo brasileiro nos últimos anos, basta olhar as estatísticas da Infraero, empresa governamental que administra os aeroportos: em janeiro de 2009 circularam pelos aeroportos do país cerca de 10,7 milhões de passageiros. No mesmo mês de 2011 esse número pulou para 15,4 milhões. Agora em janeiro de 2012, 17 milhões de passageiros embarcaram e desembarcaram nos 66 aeroportos mais importantes do país. Ainda segundo a Infraero, enquanto o crescimento mundial no movimento de passageiros entre 2003 e 2010 foi de 40%, no Brasil esse percentual chegou a 118%.</p>
<p>Grandes filas nos guichês de atendimento das companhias aéreas, atrasos em pousos e decolagens e uma quantidade espartana de lojas e restaurantes é a realidade com a qual esses passageiros têm convivido. O primeiro passo para melhorar essa situação e receber os turistas que chegarão para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos foi dado em fevereiro. Através de um leilão, o governo brasileiro fez a concessão para a iniciativa privada, por um prazo de 25 anos, de três aeroportos: Guarulhos, em São Paulo (com o maior tráfego no país), Campinas e Brasília. Juntos eles são responsáveis por 30% do movimento de passageiros no Brasil. Especialistas do setor aguardam que novos aeroportos passem pelo mesmo processo, já que precisam urgentemente de investimentos, como é o caso do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, cidade sede dos Jogos Olímpicos daqui a quatro anos.</p>
<p>Dos aeroportos para os hotéis. Para a realização da Copa do Mundo, a FIFA exige que o parque hoteleiro das cidades que sediarão os jogos tenha capacidade e qualidade para receber os turistas. O Ministério do Turismo garante que até 2014 haverá um aumento de 30% na oferta de quartos, garantidos pela construção de novos empreendimentos. Finalmente, chega-se ao palco dos jogos: os estádios. No total serão doze, alguns novos e outros totalmente reformados. Uma das obras que mais chama a atenção é a do Maracanã, estimada em R$ 705 milhões de reais, que quando pronto receberá a grande final da Copa do Mundo. O ponta-pé inicial será dado em São Paulo, no Estádio Itaquerão, onde atualmente homens se revezam dia e noite para levantar a arena de abertura dos jogos.</p>
<p>Para que torcedores do mundo todo possam acompanhar as partidas da Copa, o Brasil ainda tem que investir em telecomunicação. A FIFA exige infraestrutura para a transmissão dos jogos pela televisão. Isso significa que em todas as cidades sedes a rede de transmissão de dados digital terá que funcionar de maneira impecável. Só nesse setor o investimento será de R$ 200 milhões de reais, mas que poderá ser usufruido pela população local também. “É preciso ressaltar que a transição para um legado permanente não acontecerá do dia para a noite. Nosso trabalho deve estar menos focado em política e mais no melhor design e resultado para as cidades e comunidades para as quais trabalhamos”, afirma o arquiteto Bill Hanway.</p>
<p><strong>Foto no alto: </strong>Parque Olímpico do Rio 2016/divulgação AECOM</p>
<p><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/SuzanaBizerrilCamargo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-309" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/SuzanaBizerrilCamargo-310x410.jpg" alt="" width="82" height="108" /></a><a href="http://brasil.txchnologist.com/2012/colaboradores/">Suzana Bizerril Camargo</a> colabora com algumas das principais publicações brasileiras. Começou a estudar Comunicação nos Estados Unidos, onde viveu durante dois anos. Iniciou a carreira profissional como editora de jornalismo da Rede Globo de Televisão, em Curitiba Acaba de voltar de Zurique, na Suíça, onde nos últimos quatro anos foi correspondente internacional freelance. Atualmente está baseada em São Paulo.</p>
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		<title>Startups brasileiras: sorriam. O venture capital está de olho em vocês</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/startups-brasileiras-sorriam-o-venture-capital-esta-de-olho-em-voces/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Mar 2012 16:26:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nelson Vasconcelos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[O Rio sediou pela primeira vez, semana passada, o Founders Forum, evento&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rio sediou pela primeira vez, semana passada, o Founders Forum, evento promovido pela Profounders Capital e que joga empreendedores e investidores na mesma arena. É um tipo de encontro bastante comum nos EUA. No Brasil, nem tanto. O debate é livre, a convivência é cortês, mas todos estão ali correndo atrás de grana, claro. Em 2011, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 18,7 bilhões, com crescimento de 26% sobre o ano anterior, segundo a consultoria eBit. Não por acaso, um estudo da Fundação Getulio Vargas estima que foram investidos US$ 750 milhões em startups brasileiras em 2011. Para os nossos padrões, é um caminhão de dinheiro.</p>
<p>O Founders Forum é um evento fechado, mas conseguimos trocar ideias com alguns dos seus participantes. Um deles foi o Guilherme Pacheco, da Mosaico, empresa brasileira de venture capital na área de internet:</p>
<p>&#8220;O fórum representa bem o interesse mundial pelo Brasil e particularmente pelo mercado local de internet. Brasil + internet são uma combinação excelente hoje. O país tem muitas oportunidades e ainda não é tão competitivo quanto mercados mais maduros. Tanto pela visibilidade quanto pelo nosso tamanho, todo mundo está querendo um pedacinho do Brasil.&#8221;</p>
<p>Só que ninguém fala abertamente sobre quanto está disposto a investir nesse pedacinho. Nem de quanto precisa, no caso das startups. O céu é o limite?</p>
<p>Nem tanto. Segundo Guilherme, poucas empresas vão justificar investimentos que cheguem a US$ 20 milhões, por exemplo. Mas os negócios estão acontecendo.</p>
<p>A petropolitana Renata Streit Quintini sabe disso. Ela está há oito anos nos EUA, onde integra a equipe da Felicis Ventures, grupo americano de investidores em startups como a Rovio, criadora dos loucos e famosos Angry Birds. A Felicis investe entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão em projetos promissores. Um deles é o da brasileira Baby.com.br &#8211; que, em menos de seis meses de operação, já vendeu nada menos que um milhão de fraldas. Não deixa de ser uma marca interessante.</p>
<p>Renata reitera que o interesse pelo Brasil está crescendo a olhos vistos lá fora. Não que a imagem de país do samba e futebol tenha ficado para trás. Mas agora também somos lembrados como um país em rápido crescimento, com fundamentos da economia resistentes a crises que têm abalado meio mundo. Somos um mercado bastante promissor, portanto, sobretudo na área de e-commerce:</p>
<p>&#8220;É muito gratificante ver a mudança da percepção sobre o Brasil. Antes um país de sonhos, agora um país de oportunidades. E o mais impressionante é a velocidade dessa transformação. Não poderia sequer imaginar tudo isso quando me mudei para o Silicon Valley, em 2004,&#8221; diz Renata, que é especialista em direito na internet.</p>
<p>Um ponto importante para essa nova percepção é o fato de que o profissional brasileiro está se tornando mais&#8230; digamos&#8230; profissional. Até pouco tempo atrás, o sujeito criava uma empresa com visão de curto prazo, com a ideia de engordá-la o quanto antes e vendê-la rapidamente. Hoje, depois de um período de aprendizado, estamos com a cabeça mais empreendedora. Isso faz muita diferença na hora que o investidor analisa a empresa que bate à sua porta.</p>
<p>&#8220;É claro que a estabilidade econômica do país ajuda. Mas o que está mudando de verdade é o espírito do empreendedor brasileiro. Vejo neles  tanto a vontade de criar negócios duradouros quanto a paciência e a tenacidade para maximizar as oportunidades. As pessoas estão assimilando o poder do equity e cada vez mais entendem que o valor de uma empresa pode crescer. E elas estão apostando nesse potencial,&#8221; diz Renata.</p>
<p>Mas existe um perfil ideal para esse novo empreendedor made in Brazil? Renata diz que o grande ponto é saber fazer a diferença para o seu público. E nunca, jamais ficar acomodado:</p>
<p>&#8220;Queremos um empreendedor que entenda extremamente bem os problemas de seus clientes e que tenha uma visão clara sobre o que precisa ser mudado. Em muitos casos, o emprendedor já fez parte de seu público-alvo e estava frustrado com a qualidade insuficiente das soluções existentes. Essa vontade de &#8216;melhorar o que não está funcionando&#8217; é extremamente poderosa. Outro atributo de um empreendedor que nos atrai é a curiosidade e flexibilidade para continuamente testar hipóteses e soluções, aprender e melhorar seu produto ou serviço.</p>
<p>Um exemplo está na própria Baby.com.br – que vende produtos de uso infantil para mamães já bastante atarefadas no dia a dia e carentes do ativo mais precioso nos dias de hoje: tempo.</p>
<p>Em suma, pense em resolver grandes e importantes problemas. O Brasil tem pessoas extremamente talentosas e criativas que podem realmente causar grande impacto. Criar e operar qualquer startup é um processo árduo e trabalhoso. Então, invista seu tempo e suor em oportunidades que façam a diferença.</p>
<p><strong>Foto no alto: </strong>Click&#8230; (Flickr – usuário <a href="Flickr – usuário">jonycunha</a>)</p>
<p><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/Nelson-Vasconcelos.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-229" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/Nelson-Vasconcelos.jpg" alt="" width="72" height="96" /></a><a href="http://brasil.txchnologist.com/2012/colaboradores/">Nelson Vasconcelos</a> é jornalista e fotógrafo. Trabalhou no jornal O Globo entre 1995 e 2011, onde  editor do suplemento e do site de tecnologia do jornal. Durante 11 anos, assinou uma coluna sobre cultura digital e negócios. Ganhou vários prêmios de jornalismo, como o Embratel (duas vezes) e o Ayrton Senna, por grandes reportagens sobre internet e inclusão digital no país.</p>
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		<title>A indústria do GatoNet apanha, mas resiste</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/a-industria-do-gatonet-apanha-mas-resiste/</link>
		<comments>http://brasil.txchnologist.com/2012/a-industria-do-gatonet-apanha-mas-resiste/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Mar 2012 13:24:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nelson Vasconcelos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[GatoNet]]></category>
		<category><![CDATA[TV a cabo]]></category>

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		<description><![CDATA[O fornecimento ilegal de TV a cabo, também conhecido como GatoNet, tem&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O fornecimento ilegal de TV a cabo, também conhecido como GatoNet, tem marcado presença nos jornais cariocas. Na última terça-feira (06/03), a Polícia prendeu no município de Italva, no Estado do Rio, uma quadrilha que lucrava R$ 100 mil <a href="http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/quadrilha-presa-no-interior-do-rio-faturava-r-200-mil-por-mes-com-gatonet-e-jogo-do-bicho-20120306.html">por mês com TV a cabo pirata</a>. No dia seguinte, foram presas 16 pessoas, responsáveis por uma central de TV a cabo clandestina na Baixada Fluminense, <a href="http://odia.ig.com.br/portal/rio/opera%C3%A7%C3%A3o-de-combate-%C3%A0-mil%C3%ADcia-da-baixada-termina-com-16-presos-1.416691">com três mil assinantes</a>. São inúmeros casos assim. Um deles é sintomático: ano passado, um delegado de polícia de Cachoeira de Macacu, também no interior do Rio, foi preso em flagrante porque mantinha nada menos que um ponto <a href="http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5323594-EI5030,00-Delegado+e+preso+por+ter+gatonet+em+gabinete+no+Rio.html">clandestino de TV a cabo</a> em seu próprio gabinete. Ou seja: o GatoNet é uma transgressão tão comum que até mesmo quem deveria combatê-lo não percebe que está cometendo um crime, cada vez mais ramificado por todo o país.</p>
<p>De acordo com estimativas da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), entre 700 mil e um milhão de pessoas usufruem diretamente dos acessos clandestinos à programação de TV a cabo no Brasil. Com isso, o prejuízo mensal das operadoras chega a R$ 100 milhões. Oficialmente, diz a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), existem no país 13 milhões de assinantes legais de TV a cabo, com 85% deles nas mãos das três maiores operadoras. Já as “empresas” clandestinas correm por fora das estatísticas da Anatel, mas estão bem organizadas, oferecendo preços sedutores: em vez dos R$ 40 cobrados em média no mercado legalizado, encontramos pacotes de até R$ 15 oferecendo o que mais atrai o brasileiro, como esportes, filmes baratos e pornografia.</p>
<p>Apesar dos números gritantes, a ABTA acredita que o GatoNet esteja perdendo terreno em larga escala.</p>
<p>&#8220;A grande maioria ainda prefere a legalidade. As operadoras vêm oferecendo pacotes mais baratos, e a população acaba preferindo o serviço com a grife oficial. &#8220;Há transgressão, sim, mas ela deixou de ser alarmante&#8221; garante Antonio Salles Neto, diretor do Sindicato Nacional das Empresas Operadoras de Televisão por Assinatura (SETA), ao Txchnologist.com.</p>
<p>Pode ser, mas o GatoNet continua sendo oferecido com facilidade pelo país. Primeiramente porque a tecnologia que permite o roubo do sinal das TVs está disponível em vários websites. Ainda segundo a ABTA, existem cerca de 600 mil conversores ilegais no país, a preços que variam entre R$ 450 e R$ 700, embora a <a href="http://mariano.delegadodepolicia.com/receptores-utilizados-para-pirataria-de-sinal-de-televisao-por-satelite-e-cardsharing-sao-proibidos-pela-justica/">Justiça Federal tenha proibido</a> a sua importação no fim do ano passado.</p>
<p>Além disso, as autoridades não têm braços suficientes para coibir a prática – por mais que algumas quadrilhas estejam sendo desarticuladas. Também falta pulso para combater os chefes supremos do crime organizado. Não é uma questão simples de ser resolvida num país que ocupa a <a href="http://invertia.terra.com.br/sustentabilidade/noticias/0,,OI5652222-EI10411,00.html">69ª posição no ranking</a> mundial da corrupção, como divulgado esta semana. Já foi um problema mais grave, quase endêmico, que está por trás do funcionamento das chamadas milícias, as organizações clandestinas que administram boa parte dos negócios ilegais no país, inclusive o GatoNet, e que não economizam no uso do poder político, da corrupção e da força bruta. Essa teia, não raramente tecida com a ajuda de integrantes da própria polícia, necessita de muita vontade superior para ser desfeita.</p>
<p>Quando essa vontade aparece, a situação fica mais leve. É o que tem acontecido, por exemplo, na cidade do Rio. Nos últimos três anos, o cenário carioca se modificou bastante, graças à crescente presença da polícia, que expulsou de algumas comunidades e favelas os bandidos que controlavam o comércio ilegal não só de TV a cabo, como também de gás, eletricidade, transporte e drogas.</p>
<p>Em grandes favelas do Rio, como a Rocinha, havia pacotes de até R$ 15 para o acesso a dezenas de canais de TV – até mesmo em alta definição, em alguns casos. Hoje, com a chamada força pacificadora em ação, os piratas foram desarticulados, embora não tenham desaparecido totalmente. E os provedores de TV a cabo disputam cada morador das comunidades. É um mercado gigantesco. Estima-se que a Rocinha, por exemplo, tenha 180 mil habitantes, com poder de compra crescente e baixo nível de inadimplência. Ou seja, o consumidor ideal: &#8220;Desde que a polícia ocupou a região, em novembro do ano passado, a gente não fica um dia sem vender pacotes de assinatura de TV a cabo,&#8221; diz o técnico de uma operadora, que prefere não se identificar. &#8220;E é um pessoal exigente, que hoje tem que pagar até R$ 50 por uma boa programação de TV.&#8221;</p>
<p>Quem ainda pode usar o GatoNet mais livremente é o pessoal da periferia dos grandes centros, onde o poder público sempre demora a chegar. É o caso da empregada doméstica Ana Santos, que pagou R$ 100 pela instalação do conversor ilegal e desembolsa R$ 50 mensais pelo acesso clandestino à TV a cabo e à internet via banda larga. Ela reconhece que pirataria não é a melhor coisa do mundo. Mas diz também que, se não usar essa alternativa, ficará “longe do mundo”.</p>
<p>“Claro que eu preferia fazer a coisa certa, mas a gente não tem renda pra isso”, diz Ana Santos, que divide com dois filhos adultos a pequena casa de três cômodos, a 40 quilômetros do Centro do Rio.</p>
<p>A empregadora de Ana Santos, Maria Duarte, que vive na Zona Sul, paga R$ 40 apenas para a TV a cabo.<br />
“Não tenho dúvidas de que acabo subsidiando o acesso da Ana e de muita gente&#8230;”, diz  Maria. “O problema é que, com a má distribuição de renda e a falta de oferta de bons serviços em algumas regiões, a pirataria acabou tomando conta de parte do mercado”.</p>
<p>Sem conhecer os detalhes técnicos, Ana Santos engrossa a turma dos que se beneficiam da tecnologia chamada de card sharing – em que uma única chave legal de um assinante é distribuída ilegalmente para centenas de usuários clandestinos. Essa prática representa quebra de contrato.</p>
<p>&#8220;A indústria já está usando criptografia para comprometer a qualidade desse serviço ilegal, que desaparecerá naturalmente,&#8221; diz Salles Neto ao Txchnologist.com. Até porque a população prefere usar o serviço de grife.</p>
<p>Enquando a grife não está disponível para todos, a alternativa de usar serviços baratos foi ocupando amplo espaço na cultura popular. Se tiver que ser ilegal, tudo bem. O importante é que todos façam parte da festa, fugindo da programação tradicional dos canais abertos e descobrindo o mundo – ainda que apenas pela tela da TV. E o uso ilegal do acesso à TV a cabo está longe de ser exclusividade da população com menos recursos. A classe média, por exemplo, também consome GatoNet.</p>
<p>Para isso, basta um “jeitinho”. Ou, no caso, “uns cinquentinha”. Por não mais que R$ 50, alguns técnicos desonestados, até mesmo terceirizados das operadoras, fazem vista grossa às ligações clandestinas – e, melhor, tratam eles mesmos de viabilizar o roubo do sinal. Não é nada difícil, nos condomínios, considerando que as centrais de cabo estão em acesso exclusivo aos técnicos, longe dos olhos do moradores. Basta desconectar um cabo aqui, conectar outro ali, e um novo acesso a inúmeros canais já estará aberto.</p>
<p><strong>Foto no alto: </strong>Gatonet ao contrário! Flickr – usuário</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-229" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/Nelson-Vasconcelos.jpg" alt="" width="81" height="108" /><a href="http://brasil.txchnologist.com/2012/colaboradores/">Nelson Vasconcelos</a> é jornalista e fotógrafo. Trabalhou no jornal O Globo entre 1995 e 2011, onde  editor do suplemento e do site de tecnologia do jornal. Durante 11 anos, assinou uma coluna sobre cultura digital e negócios. Ganhou vários prêmios de jornalismo, como o Embratel (duas vezes) e o Ayrton Senna, por grandes reportagens sobre internet e inclusão digital no país.</p>
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		<title>Universo às Escuras por Marcelo Gleiser</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 21:39:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Gleiser</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[matéria escura]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa bela noite de lua cheia, você sai de casa e dirige&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Numa bela noite de lua cheia, você sai de casa e dirige até as montanhas, fugindo das luzes da cidade. Após subir a serra, encontra um belo local para estacionar. Ninguém por perto, nenhum outro carro passando, por alguns momentos você se sente só no universo, maravilhado pela imensidão do espaço, pelas incontáveis estrelas que decoram a abóbada celeste. Acostumados com a presença humana, nos esquecemos do “resto”, dos mundos espalhados pelo cosmo, centenas de bilhões de estrelas só na nossa galáxia, que é apenas uma dentre centenas de bilhões de outras. E o que é mais surpreendente, todos esses mundos, todas essas estrelas e galáxias, são apenas uma pequena fração do que existe no universo, não mais de 5% do que preenche a totalidade do espaço.</p>
<p>No nosso dia-a-dia, damos valor ao que vemos, ao que existe de concreto, mesmo que tenhamos consciência de que existem coisas invisíveis à nossa volta—o ar que respiramos, as ondas de rádio e micro-ondas dos celulares. Porém, existem muito mais coisas “invisíveis” à nossa volta do que o ar e as ondas de rádio. Uma das funções da ciência é justamente abrir janelas para esse mundo invisível que nos cerca, revelando uma realidade muito diferente da que percebemos. Como disse a raposa ao Pequeno Príncipe, “O que é essencial é invisível aos olhos”. A realidade é muito mais rica do que nossa percepção dela.</p>
<p>Na astronomia isso fica patente, visto que 95% do que existe no universo é invisível. Já na década de 1930, o astrônomo Fritz Zwicky, estudando o movimento de galáxias, percebeu que suas velocidades eram muito maiores do que esperava. Segundo a teoria da gravitação de Isaac Newton, objetos com massa exercem uma atração sobre outros objetos com massa cuja intensidade é proporcional à sua massa e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre eles. Por exemplo, é esta atração que faz com que a Terra e os outros planetas girem ao redor do Sol, e a Lua ao redor da Terra. No caso das galáxias, quando muitas delas estão relativamente “próximas” (as distâncias são de dezenas de milhões de anos-luz), elas também formam grupos, chamados de aglomerados. Zwicky mostrou que para explicar os movimentos das galáxias nos aglomerados era necessário postular a existência de muito mais matéria do que a que imediatamente visível através do brilho das galáxias. Sugeriu que existe “matéria escura” nas galáxias, que seria a responsável pelos movimentos inesperados.</p>
<p>Hoje, sabemos que existe bem mais matéria escura do que a que brilha (estrelas, nuvens de gases interestelar). O mais surpreendente é que esta matéria não tem nada a ver com a matéria da qual nós e as estrelas somos formados, os átomos dos 94 elementos naturais com seus elétrons, prótons e nêutrons. A matéria escura, que ocorre na proporção de 6:1 com relação à matéria normal, é feita de alguma outra coisa. O quê, ainda não sabemos. Possivelmente, alguma nova partícula que só interage com a matéria comum através da gravidade. Isso explicaria o fato de as galáxias serem atraídas pela matéria escura (pela gravidade) mas de essa matéria não emitir luz ou outro tipo de radiação eletromagnética. (Ou seja, ser invisível em todas as frequências, das ondas de rádio aos raios X e gama.) A caça pela partícula (ou partículas) que compõem a matéria escura—que envolvem as galáxias como um véu invisível, é uma área de muita atividade na astronomia moderna. Caso seja encontrada, promete revolucionar nossa compreensão da composição material do cosmo.</p>
<p>Para complicar as coisas ainda mais (ou, com mais otimismo, tornar o desafio ainda mais fascinante), em 1998 dois grupos de astrônomos descobriram que o universo não só está em expansão—o que já se sabia desde 1929—mas em expansão acelerada. Claro, essa pressa celeste tem que ter uma causa física. Mais uma vez, as observações astronômicas nos apresentam com um dilema inesperado. Para explicar os resultados das observações, a causa da aceleração tem que contribuir com cerca de 73% da energia total do universo! Ou seja, a descoberta desta “energia escura”—espalhada pelo cosmo inteiro como um fluido invisível—completa a receita cósmica, tornando-a positivamente estranha: 4% de matéria comum, 23% de matéria escura, e 73% de energia escura. No momento, pouco sabemos de 96% da constituição cósmica.</p>
<p>Vista superficialmente, essa situação parece ser uma crise na ciência. Muito pelo contrário, é justamente nos períodos de grandes descobertas observacionais e experimentais que a ciência dá grandes saltos qualitativos. A ciência precisa de desafios, de grandes questões em aberto, para avançar. O fato de que hoje vivemos num universo às escuras significa que amanhã, graças à persistência e à criatividade humana, ele se encherá de luz mais uma vez.</p>
<p><strong>Foto no Alto: </strong>Abell 520/NASA</p>
<p><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/gleiser.jpeg"><img class="alignleft size-full wp-image-392" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/gleiser.jpeg" alt="" width="63" height="95" /></a>Marcelo Gleiser é um físico, astrônomo, professor, escritor e roteirista. Você pode saber mais sobre o que Marcelo Gleiser anda pensando no <a href="http://goo.gl/93dHI">Facebook</a>.</p>
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		<title>Com valorização das florestas, Brasil exerce diplomacia dos satélites</title>
		<link>http://brasil.txchnologist.com/2012/com-valorizacao-das-florestas-brasil-exerce-diplomacia-dos-satelites/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Mar 2012 03:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Faleiros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[desflorestamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Conhecido por muitos anos como o país que mais desmatou florestas tropicais&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conhecido por muitos anos como o país que mais desmatou florestas tropicais em todo o mundo, o Brasil tem conseguido gradualmente reverter o avanço da fronteira do desflorestamento na Amazônia . Nos últimos 3 anos,  <a href="http://www.obt.inpe.br/prodes/index.html">recordes consecutivos</a> de redução de desmatamento foram alcançados. O sucesso transformou o país em referência no uso de satélites no combate às derrubadas. Atualmente, institutos do governo, universidades e ONGs estão envolvidos com parcerias internacionais para difundir métodos e tecnologia para mensurar o uso das florestas nativas.</p>
<div id="attachment_372" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/Evolução-do-Desmatamento.jpg"><img class="size-medium wp-image-372 " src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/Evolução-do-Desmatamento-310x215.jpg" alt="" width="240" height="166" /></a><p class="wp-caption-text">Em 2011, a taxa de desmatamento atingiu o número mais baixo desde que as medições foram iniciadas em 1988: 6248 Km2, o equivalente a 5 cidades de São Paulo. Crédito: INPE  </p></div>
<p>À frente deste processo está o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (<a href="http://www.inpe.br/">INPE</a>),  ligado ao Ministério de Ciência e Tecnologia, e que nos últimos 30 anos desenvolveu os melhores softwares de análise sobre a cobertura vegetal na Amazônia. Além disso, lancará até 2014 dois novos satélites que melhorarão a observação de mudanças no uso da terra, o CBERS 3, feito em parceria com a China, e o Amazônia 1.</p>
<p>Há três anos, o INPE inaugurou um centro de treinamento na cidade de Belém, no estado do Pará, que tem recebido técnicos de órgão públicos latino-americanos, africanos e asiáticos. A demanda pela experiência do órgão brasileiro cresceu rapidamente graças às indicações de que finalmente as florestas tropicais podem valer mais em pé do que derrubadas. O mecanismo <a href="http://www.un-redd.org/">REDD</a> – Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal – já foi aprovado pela Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, e muitos países esperam investimentos externos utilizando créditos de carbono da floresta.</p>
<p>O pesquisador Claudio Almeida, coordenador do centro de treinamento do INPE em Belém, argumenta que a necessidade dos países se prepararem para o REDD ajudou a valorizar o conhecimento brasileiro. “Nós temos o estado da arte no monitoramento de florestas tropicais”, argumenta.</p>
<p>Segundo Almeida, neste momento, um dos principais objetivos do Brasil ao dividir o conhecimento com outros países é possibilitar a criação de parâmetros comparáveis para mensurar, o desflorestamento, a degração florestal e até mesmo a recuperação de áreas previamente desmatadas. O INPE está treinando técnicos dos oito países membros da OTCA, a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica. Assim como ocorre no Brasil, estes países devem em breve a produzir taxas oficiais de desmatamento, que poderão servir de base de comparação em toda bacia amazônica.</p>
<p>No momento estes técnicos, estão aprendendo a interpretar imagens de satélite utilizando softwares e metodologias criadas pelo INPE nos últimos 30 anos de monitoramento da Amazônia. Mas o próximo passo, explica Almeida, depende mais dos diplomatas de cada país do que do INPE. O Brasil quer ajudar as nações amazônicas a implementar antenas para a recepção de dados de satélites brasileiros e salas de observação onde estas informações serão interpretadas e repassadas a autoridades em campo. “Não é uma forma de colonização. Nós estamos disponibilizando tecnologia. A vontade de fazer tem que ser de cada país”, diz o pesquisador.</p>
<h4><strong>40 anos de história</strong></h4>
<p>Em uma pequena sala na sede do INPE em São José do Campos, uma pacata cidade a 80 km da metrópole de São Paulo, Dalton Valeriano, um simpático pesquisador com rabo de cavalo e cavanhaque brancos revela orgulhoso a história por trás do programa brasileiro de monitoramento do desmatamento na Amazônia, mais conhecido como PRODES.</p>
<div id="attachment_370" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/IMG_1395.jpg"><img class="size-medium wp-image-370" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/03/IMG_1395-310x232.jpg" alt="" width="240" height="179" /></a><p class="wp-caption-text">Pesquisador Dalton Valeriano: no começo a análise era feita na mão, sobre as fotos de satélite. Crédito: Gustavo Faleiros </p></div>
<p>Oficialmente, ele foi iniciado em 1988, mas Valeriano explica que já na década 70, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) pedia ao INPE para verificar com imagens de satélite se os projetos financiados pelo dinheiro público estavam de fato ocorrendo.  Naquela época, um estudante da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Valeriano trabalhava no INPE como estagiário.</p>
<p>Mas o monitoramento constante só foi possível a partir dos 80 com a orbita regular de satélites com instrumentos de precisão que registravam qualquer desmatamento acima de 6,5 hectares. O satélite americano Landsat, com seu sensor TM, permitiu um acumulo de imagens que eram analisadas analogicamente, para não dizer manualmente. “Nós colocávamos uma imagem sobre a outra e marcávamos com cores os territorios desmatados de um ano para outro. Depois, calculávamos”, conta Valeriano.</p>
<p>Atualmente, o Brasil batalha para garantir que a observação ininterrupta da Amazônia. Com a suspensão do envio de informações do Landsat 7 e a descontinuação de uma série de outros dispositivos, como o sino-brasileiro CBERS 2B e o japonês Alos, o monitoramento atual está sendo feito, a um custo de R$ 6 milhões, pela constelação de satélites DMC, que pertence a uma empresa britânica.</p>
<p><strong>Foto no alto: </strong>Adela Kang/Txchnologist</p>
<p><a href="http://brasil.txchnologist.com/2012/colaboradores/"></a><a href="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/Gustavo-Faleiros.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-290" src="http://files.brasil.txchnologist.com/files/2012/02/Gustavo-Faleiros.jpg" alt="" width="100" height="112" /></a><a href="http://brasil.txchnologist.com/2012/colaboradores/">Gustavo Faleiros</a> nasceu em São Paulo e estudou jornalismo na Pontíficia Universidade Católica de São Paulo. Ele possui mestrado em Meio Ambiente, Política e Globalização pelo King´s College de Londres. Além de atuar como um dos editores do site de jornalismo ambiental O Eco, teve reportages publicadas no Brasil, como Valor Economico e Folha de Sao Paulo. Seus artigos também foram destaque nos sites da Scientific Americas, do jornal britânico Guardian e o projeto China Dialogue.</p>
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