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Startups brasileiras: sorriam. O venture capital está de olho em vocês

O Rio sediou pela primeira vez, semana passada, o Founders Forum, evento promovido pela Profounders Capital e que joga empreendedores e investidores na mesma arena. É um tipo de encontro bastante comum nos EUA. No Brasil, nem tanto. O debate é livre, a convivência é cortês, mas todos estão ali correndo atrás de grana, claro. Em 2011, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 18,7 bilhões, com crescimento de 26% sobre o ano anterior, segundo a consultoria eBit. Não por acaso, um estudo da Fundação Getulio Vargas estima que foram investidos US$ 750 milhões em startups brasileiras em 2011. Para os nossos padrões, é um caminhão de dinheiro.

O Founders Forum é um evento fechado, mas conseguimos trocar ideias com alguns dos seus participantes. Um deles foi o Guilherme Pacheco, da Mosaico, empresa brasileira de venture capital na área de internet:

“O fórum representa bem o interesse mundial pelo Brasil e particularmente pelo mercado local de internet. Brasil + internet são uma combinação excelente hoje. O país tem muitas oportunidades e ainda não é tão competitivo quanto mercados mais maduros. Tanto pela visibilidade quanto pelo nosso tamanho, todo mundo está querendo um pedacinho do Brasil.”

Só que ninguém fala abertamente sobre quanto está disposto a investir nesse pedacinho. Nem de quanto precisa, no caso das startups. O céu é o limite?

Nem tanto. Segundo Guilherme, poucas empresas vão justificar investimentos que cheguem a US$ 20 milhões, por exemplo. Mas os negócios estão acontecendo.

A petropolitana Renata Streit Quintini sabe disso. Ela está há oito anos nos EUA, onde integra a equipe da Felicis Ventures, grupo americano de investidores em startups como a Rovio, criadora dos loucos e famosos Angry Birds. A Felicis investe entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão em projetos promissores. Um deles é o da brasileira Baby.com.br – que, em menos de seis meses de operação, já vendeu nada menos que um milhão de fraldas. Não deixa de ser uma marca interessante.

Renata reitera que o interesse pelo Brasil está crescendo a olhos vistos lá fora. Não que a imagem de país do samba e futebol tenha ficado para trás. Mas agora também somos lembrados como um país em rápido crescimento, com fundamentos da economia resistentes a crises que têm abalado meio mundo. Somos um mercado bastante promissor, portanto, sobretudo na área de e-commerce:

“É muito gratificante ver a mudança da percepção sobre o Brasil. Antes um país de sonhos, agora um país de oportunidades. E o mais impressionante é a velocidade dessa transformação. Não poderia sequer imaginar tudo isso quando me mudei para o Silicon Valley, em 2004,” diz Renata, que é especialista em direito na internet.

Um ponto importante para essa nova percepção é o fato de que o profissional brasileiro está se tornando mais… digamos… profissional. Até pouco tempo atrás, o sujeito criava uma empresa com visão de curto prazo, com a ideia de engordá-la o quanto antes e vendê-la rapidamente. Hoje, depois de um período de aprendizado, estamos com a cabeça mais empreendedora. Isso faz muita diferença na hora que o investidor analisa a empresa que bate à sua porta.

“É claro que a estabilidade econômica do país ajuda. Mas o que está mudando de verdade é o espírito do empreendedor brasileiro. Vejo neles tanto a vontade de criar negócios duradouros quanto a paciência e a tenacidade para maximizar as oportunidades. As pessoas estão assimilando o poder do equity e cada vez mais entendem que o valor de uma empresa pode crescer. E elas estão apostando nesse potencial,” diz Renata.

Mas existe um perfil ideal para esse novo empreendedor made in Brazil? Renata diz que o grande ponto é saber fazer a diferença para o seu público. E nunca, jamais ficar acomodado:

“Queremos um empreendedor que entenda extremamente bem os problemas de seus clientes e que tenha uma visão clara sobre o que precisa ser mudado. Em muitos casos, o emprendedor já fez parte de seu público-alvo e estava frustrado com a qualidade insuficiente das soluções existentes. Essa vontade de ‘melhorar o que não está funcionando’ é extremamente poderosa. Outro atributo de um empreendedor que nos atrai é a curiosidade e flexibilidade para continuamente testar hipóteses e soluções, aprender e melhorar seu produto ou serviço.

Um exemplo está na própria Baby.com.br – que vende produtos de uso infantil para mamães já bastante atarefadas no dia a dia e carentes do ativo mais precioso nos dias de hoje: tempo.

Em suma, pense em resolver grandes e importantes problemas. O Brasil tem pessoas extremamente talentosas e criativas que podem realmente causar grande impacto. Criar e operar qualquer startup é um processo árduo e trabalhoso. Então, invista seu tempo e suor em oportunidades que façam a diferença.

Foto no alto: Click… (Flickr – usuário jonycunha)

Nelson Vasconcelos é jornalista e fotógrafo. Trabalhou no jornal O Globo entre 1995 e 2011, onde editor do suplemento e do site de tecnologia do jornal. Durante 11 anos, assinou uma coluna sobre cultura digital e negócios. Ganhou vários prêmios de jornalismo, como o Embratel (duas vezes) e o Ayrton Senna, por grandes reportagens sobre internet e inclusão digital no país.

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