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E o iPhone caiu no samba

Todo ano, dezenas de fotojornalistas, de todo o mundo, se deslocam para o Rio de Janeiro atrás de boas imagens do carnaval carioca. Para dar conta da tarefa, cada um deles carrega, no mínimo, uns cinco quilos de câmeras, lentes dos mais variados tamanhos, flashes, notebooks. A mochila fica sobrecarregada, ainda mais com a movimentação durante o desfile de 13 escolas de samba ao longo de duas madrugadas. É divertido, mas é um trabalho pesado.

A não ser que você use um iPhone 4, com seus 140 gramas. Foi o experimento que fiz esta semana – que resultou em centenas de fotos. Muitas delas poderiam ser publicadas em qualquer jornal, sem demérito.

Mas vamos lá: em meio a tantos fotojornalistas, ganhamos alguma vantagem na disputa por um espaço em frente às celebridades, aos músicos e, enfim, a cada ala da escola. No entanto, saímos perdendo na hora do empurra-empurra. O iPhone precisa de muita estabilidade, mão firme e paciência. Em momentos de muito movimento, o smart não vai registrar o que a gente deseja. Fail.

Fora da aglomeração, à beira da pista de desfile, a situação é bem mais confortável, principalmente quando os passistas estão desfilando mais lentamente. Se você conseguir se livrar da luz direta dos fortes holofotes, conseguirá boas imagens. Diga-se que a forte iluminação do Sambódromo é o que permite o trabalho do smartphone. Sem ela, nada feito. Nos desfiles de rua, as fotos noturnas com o iPhone ficam sem graça.

O desfile de carnaval é muito rico em luz, brilho e cores. Curioso é que as próprias limitações do iPhone conseguem traduzir – ainda que involuntariamente – essa movimentação, com um efeito em geral indesejado, fora do padrão “sério”, mas que fica “bonitinho” no Instagram ou para os leigos em geral. Muitos fotojornalistas, corcundas de tanto carregar suas 600mm, torceram o nariz quando me viram empunhar o iPhone no Sambódromo. Dá pra entender.

É evidente que o smart da Apple tem suas limitações. Seu objetivo nunca foi concorrer com as Canon e Nikon que dominam a sala da imprensa de grandes eventos. Mas a questão é: será que o iPhone não funciona bem em coberturas dirigidas prioritamente a websites – que, a rigor, são o futuro e exigem mais agilidade na transmissão de imagens?

Baseada nessa experiência de 20 horas de desfiles, a resposta é: Canon e Nikon podem respirar tranquilas, mas devem se cuidar no quesito mobilidade e, sobretudo, conectividade. O iPhone tem seu poderzinho nesse nicho. Entre tirar uma foto, fazer um rápido ajuste e enviá-la para a internet, a gente gasta não mais que dois minutos – se a rede (3G ou wifi) colaborar. E as limitações técnicas, não por acaso, podem ser diminuídas com a ajuda de apps como o Camera+ ou o Snapseed, entre inúmeros outros.

É verdade que a bateria do smart deixa a desejar, mas esse é um velho problema. Iniciei a jornada no Sambódromo com um iPhone4 com 100% de bateria. Com o uso intensivo, ele teve que ser recarregado uma vez durante o desfile. Nesse momento, só me restou tirar a pesada Nikon da mochila e começar a fazer fotos “de verdade”…

Foto no alto: Nelson Vasconcelos/Txchnologist

Nelson Vasconcelos é jornalista e fotógrafo. Trabalhou no jornal O Globo entre 1995 e 2011, onde  editor do suplemento e do site de tecnologia do jornal. Durante 11 anos, assinou uma coluna sobre cultura digital e negócios. Ganhou vários prêmios de jornalismo, como o Embratel (duas vezes) e o Ayrton Senna, por grandes reportagens sobre internet e inclusão digital no país.

 

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Comentários

  1. Patricia Alexandra Gonçalves

    Muito bom, Nelsinho!! Acho que estás recuperando teu caminho e tua caneta! Abs.

    • Nelson Vasconcelos

      Obrigado, Patricia. Apareça sempre. A ideia é nao ficar parado.

  2. Cesar de Lima e Silva

    Muito bom, Nelson! Vou tentar incluir em uma resenha que o Observatório Nacional faz, e ficar na torcida. Abração!

    • Nelson Vasconcelos

      Obrigado, Grande Cesar. Estamos todos embolados.
      Bj nas crias!

  3. Patricia ponte de Andrade e Silva Maganha

    Fantástica reportagem, Nelson e melhor ainda as conclusões.
    Essa é a essência: nao podemos tentar comparar alho com bugalhos embora tentemos em vão.
    Nao há que temer o iPhone, mas uni-lo e tirar partido de suas vantagens, q para o fotojornalismo, há q se conformar, tem a acrescentar!
    Um abraço
    @titaponte

  4. Flavia Tanaka

    Ótima matéria, Nelson! Uma tecnologia não substitui a outra, definitivamente. Mas que vamos passar a ver muitas matérias ilustradas a partir de fotos de smartphone, isso é certo!
    Parabéns! Goatei muito do resultado das imagens!

    • Nelson Vasconcelos

      Pois é, Flavia. O pessoal anda discutindo muito isto: até que ponto o iPhone e os milhares de apps podem realmente ser considerados fotojornalismo? aliás… taí uma boa pauta!
      obrigado, volte sempre

  5. Fernando

    Não apenas lentes, mas letras. Parabéns Nelson, luz, muita luz e prosperidade sempre!

    Valeu o esforço!

    Abs

    • Nelson Vasconcelos

      Obrigado, Fernando. Pra todos nós.

  6. Nelson Vasconcelos

    Pois é, Tita. A questão é justamente esta: agregar, acrescentar, saber reunir. A tecnologia tem que servir praisso, afinal. Obgdo, e volte sempre. E escreva, dê opinião. A casa é sua.

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