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Como os robôs voadores poderiam impedir o desmatamento

Se uma árvore cair na floresta e ninguém estiver por perto para ouvi-la, ela faria barulho? Se houver um bando de robôs do tamanho da palma da mão para testemunhar a queda, é provável que sim.

Os “Quadrotors” são robôs voadores em miniatura. Vijay Kumar, Vice-reitor da Universidade da Pensilvânia, introduziu essas maravilhas da tecnologia durante sua palestra no TED talk. Ele demonstrou estes robôs brincando no ar como se fossem lontras, voando para todos os lados e trabalhando juntos para construir uma torre de blocos.

Kumar sugeriu que os Quadrotors poderiam ser úteis para o escaneamento de áreas de desastre, mas um ex-aluno de Kumar no Brasil acrescentou, ainda, que eles poderiam funcionar como minúsculos e silenciosos guardiões da floresta tropical.

Mario Campos, professor de computação que dirige seu próprio laboratório de robótica na Universidade Federal de Minas Gerais, disse que os robôs poderiam ser usados para capturar vídeo ao vivo da floresta, auxiliando em um esforço para detectar e responder rapidamente ao desmatamento ilegal e aos incêndios.

“Do tamanho da palma da minha mão”

O Brasil tem começado a prestar atenção no céu por mais de uma década, enviando aviões de asa fixa ao longo do dossel da floresta para detectar o tráfico ilegal de drogas e mineração, assim como crimes ambientais. Mas esses veículos exigem operadores humanos, enquanto os Quadrotors de Kumar podem ser programados para voar autonomamente em bandos.

E agora estes robôs inteligentes que voam são menores do que nunca.

“O que aconteceu nos últimos seis meses é o resultado do grande esforço para tornar a plataforma menor”, diz Kumar, membro do Laboratório GRASP da Universidade da Pensilvânia (General Robotics, Automation, Sensing and Perception pelas siglas em inglês). “É mais ou menos do tamanho da palma da minha mão. O vão é menos de 20 centímetros.”

O corpo do robô tem a forma de uma cruz e uma pequena lâmina de rotor está colada à extremidade de cada braço. Quando todos os rotores estão girando com a mesma velocidade, o robô levanta vôo ou fica parado no ar. Mas quando eles giram a velocidades diferentes, o corpo se inclina para a frente ou gira. Um processador a bordo pode mudar os comandos dos rotores 600 vezes por segundo, permitindo a máquina responder rapidamente às mudanças do ambiente. Se você o jogar no ar ele vai deslizar diretamente em um padrão de vôo controlado.

Trabalho desconectado em equipe

É bastante impressionante assistir uma dessas criaturas inorgânicas atravessar um arco e mesmo ver como é jogado no ar. E assistir vários deles trabalharem em equipe é impressionante – e um pouco enervante.

Em sua palestra no TED, Kumar explicou como um bando de robôs sem a capacidade de se comunicar entre si, conseguem trabalhar para construir uma estrutura, levantar blocos e colocá-los em seu lugar. Cada robô tem o mesmo modelo e a capacidade de perceber mudanças no ambiente, mas não tem conexão direta com as outras unidades do bando.

Os programas que controlam esses vôos foram inspirados pela forma como as formigas cooperam para movimentar grandes porções de comida, mas Kumar diz que a sua equipe poderia facilmente ter observado os seres humanos.

Analise como duas pessoas mudariam de lugar uma mesa se elas estiverem com os olhos vendados. “Eu não preciso saber exatamente como o seu cérebro está conectado. Eu não preciso saber seu nome. Nem sequer preciso saber como você é”, diz Kumar. “Eu vou mudar a mesa como eu acho que é apropriado. Ninguém está me dizendo o que fazer e ninguém está lhe dizendo o que fazer.”

Voando através das copas das árvores

Os smarts que evitam os robôs colidirem enquanto são construídos também permitem eles contornarem obstáculos na selva. “Eles querem voar por cima das copas das árvores, algo que poderíamos fazer”, diz Kumar.

Essas habilidades parecem ser perfeitamente adequadas para o monitoramento da floresta tropical. Fazendeiros e madeireiros no Brasil são obrigados a seguir leis de conservação ao derrubar árvores em sua propriedade, mas muitas vezes desrespeitam as regras. “Este é um dos principais problemas para a região”, diz Campos.

Campos tem uma grande preocupação. “Além de ser o lar de várias espécies de aves, mamíferos e répteis, a Floresta Amazônica é o habitat de milhares de insetos. Seu bem-estar poderia ser prejudicado no processo de monitoramento “, diz ele. Antes que os Quadrotors forem liberados na selva, seria melhor saber que eles não vão prejudicar o mesmo ecossistema do qual estão sendo encarregados de proteger.

Mas se forem implantados com cuidado, os robôs poderiam ser sentinelas de proteção ambiental crucial.

O que você acha? Você acha que as florestas tropicais precisam mini espiões ? Onde mais poderia ser aplicada esta tecnologia?

Este artigo apareceu originalmente no site Mashable

Foto no alto: Divulgação GRASP

Morgen E.Peck é colaboradora daTxchnologist. Ela também escreve para o IEEE Spectrum, Innovation News Daily e Scientific America.

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